QUERER É PODER

A educação é um direito humano e um caminho para a justiça social e ambiental, e todos nós somos educadores.

domingo, 30 de agosto de 2015

FRAGMENTOS CADERNO 4 - RELAÇÕES INTERPESSOAIS: ABORDAGEM PSICOLÓGICA

Caderno 4 - RELAÇÕES INTERPESSOAIS: ABORDAGEM PSICOLÓGICA
Objetivo
      Espera-se apresentar ao cursista construções teóricas sobre aspectos do desenvolvimento psicológico que permitam uma reflexão sobre a importância do papel da escola e de todos os atores envolvidos na construção da cidadania. Outra questão importante que será apresentada é como refletir sobre o papel da escola na formação do sujeito.

UNIDADE 1 - A RELAÇÃO DA PSICOLOGIA COM A EDUCAÇÃO
Vamos refletir sobre algumas questões, como:
      O que é a psicologia?
      Como ela tem contribuído no dia a dia escolar?
      Como poderá ajudar na formação pessoal dos educadores?
O objetivo neste momento é expor alguns pensamentos sobre psicologia e que eles sejam de valia no trabalho de vocês e também na formação como pessoas que atuam no sistema escolar.
      A partir de vários estudiosos da psicologia, quero propor a seguinte definição: a psicologia é a ciência que estuda o ser humano concreto em todas as suas expressões como comportamento e sentimentos construídos a partir das relações sociais, das vivências individuais e da constituição biológica.
      As relações entre o homem e o meio em que ele vive estão sempre se enriquecendo pelo fato de o meio não ser constante.
• Ao transformar suas condições de vida, o homem transforma-se a si próprio.
• O homem é um ser biológico, psicológico e social que se desenvolve na natureza.
• A dialética dá à psicologia o seu equilíbrio e a sua significação ao mostrar simultaneamente ser uma ciência da natureza e uma ciência do homem.
Resumindo:
      Todos nós fazemos parte da escola e, portanto, temos de assumir o papel de educadores.
      Existem vários tipos de conhecimento: senso comum, ciência, filosofia, religião e arte.
      A ciência é um processo de construção de conhecimento cumulativo que pretende ser objetivo e geral.
      A psicologia está presente em nosso dia a dia de diferentes maneiras, mas o que vamos estudar neste módulo é a psicologia científica.
      Não é fácil definir o que seja a psicologia. O importante é que ela considere o ser humano na sua constituição biológica, social e cultural.

RESUMO
      O seu papel na escola é muito importante para a relação educativa.
      Nessa aula, enfatizamos a necessidade de uma formação não apenas pedagógica para o profissional da escola pública, mas também psicológica levando em consideração os diferentes tipos de conhecimento. É também necessário reconhecer a própria experiência vivida em outros contextos sociais para a construção do conhecimento sobre as relações interpessoais.

UNIDADE 2 - A PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E DA APRENDIZAGEM
      2.1 A relação entre desenvolvimento e aprendizagem
A relação entre desenvolvimento e aprendizagem é de dependência, as duas caminham juntas; é uma relação de reciprocidade; o aluno só se desenvolve quando aprende.
      2.2 - Diferentes concepções de desenvolvimento e de aprendizagem
O que Vigotski propõe, então, é que vejamos o desenvolvimento como um potencial e que a ajuda do outro leva ao desenvolvimento da pessoa. Ou seja, o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento que operam quando a pessoa interage com outras pessoas do seu ambiente e com a ajuda de seus companheiros.
O que enfatizamos aqui é que o desenvolvimento é um processo descontínuo, marcado por rupturas, retrocessos e reviravoltas.
Pense um pouco:
      Como você trabalha na escola? Quais as tarefas que você desenvolve no seu dia a dia? A psicologia poderia lhe ajudar a realizar essas tarefas de outro modo? Os ensinamentos da psicologia poderiam lhe ajudar a ser mais feliz no seu cotidiano? Faz sentido pensar em aspectos do desenvolvimento dos alunos? E quanto ao seu próprio desenvolvimento?
      Faça suas anotações no seu memorial!
UNIDADE 3 - A NOÇÃO DE ESTÁGIOS EM PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO

      O conceito de estágio ou etapa tem as suas origens nas noções de idade, de era, de época, de período que são usadas pela humanidade há muitos anos e se conservam até hoje.
      A noção de estágio está ligada a do “devir”, ou seja, ao que vai vir a ser.
      a aprendizagem é um processo que está interligado com o desenvolvimento da pessoa. Sendo assim, a educação na escola deve proporcionar ao aluno experiências pessoais que promovam o seu desenvolvimento intelectual.
A tarefa do educador é, pois, de orientar, de regular e de organizar o meio socioeducativo, ou seja, ele deve atuar em todos os ambientes da escola como um facilitador da sua própria interação com os alunos e das relações que se estabelecem entre eles. Com certeza você já faz isso no seu dia a dia quando busca conhecer um aluno e o ajuda no espaço da escola.
Se espera que o que estamos dizendo aqui, possa, entre outras coisas, possibilitar um conhecimento sobre como se dá o processo de desenvolvimento humano para que você possa se relacionar melhor com os alunos e com os colegas de trabalho.
O que somos é uma unidade do que fomos que se atualiza a cada momento, delineando o que vamos ser. É quase dizer que o futuro é hoje, pois ele está sempre sendo e deixando de ser. Pode parecer jogo de palavras, mas não é.
Veja a seguir os estágios de desenvolvimento
• Período da Vida Intrauterina – total dependência fisiológica, marcada por reações motoras.
• Período Impulsivo e Emocional – depois do nascimento. Abrange o primeiro ano de vida; as emoções prevalecem e permitem as primeiras interações da criança com seu meio.
• Período Sensório-Motor – por volta dos dois anos. Predomínio da exploração do mundo físico e caracterizado pela aquisição da marcha e da palavra.
• Período do Personalismo – entre três e cinco anos. Período dos confrontos e de formação da autonomia.
• Período da Puberdade e da Adolescência – antes da idade adulta. Crise comparada a dos três anos com o retorno da atenção sobre sua própria pessoa.
• Período da Fase Adulta – a pessoa atinge certo equilíbrio entre o desenvolvimento emocional e o intelectual.
“O grupo é indispensável à criança não só para a sua aprendizagem social, mas para o desenvolvimento da sua personalidade” (WALLON, 1979, p. 172).
“O desenvolvimento da inteligência está ligado ao desenvolvimento de sua personalidade” (WALLON, 1975, p. 132).
Podemos concluir dizendo que a ação educativa não se limita à transmissão de conhecimentos. A escola tem de se dirigir à criança de maneira a atingir toda sua personalidade, respeitando e estimulando sua espontaneidade total de ação e de assimilação. Sendo assim, a educação da inteligência e a da personalidade não podem se dissociar, fazendo-se também necessária a orientação para uma apropriação da cultura.
Pois bem, todos nós somos o que fomos e o que ainda vamos ser sabendo o que somos agora. Se concordarmos com isso, acreditar que somos seres em constante processo de mudança. Às vezes não é fácil admitirmos que estamos sempre mudando, mas se fizermos um esforço e pensarmos no que éramos há uns cinco anos, poderemos ver que algo em nós mudou.
“O importante e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando”. Guimarães Rosa.
Esse curso tem exatamente como meta permitir a formação de um novo educador, portanto provocar mudanças.
A personalidade é vista como um processo que se constitui e se desenvolve ao longo de toda a vida do homem. Não se reduz, portanto, à infância e nem à adolescência. O indivíduo se desenvolve constantemente na medida em que acumula experiência individual e coletiva. O grande desafio é o de conceber o adulto em processo de desenvolvimento e de mudança.
RESUMO
Nesta unidade vimos como é importante a escola como espaço de formação das pessoas, da sua personalidade, desde os alunos até os educadores. Enfatizamos que para estar com o outro na escola é interessante que antes busquemos nos conhecer. Como se deu nosso desenvolvimento? Como reagimos frente às dificuldades? Quais são meus desejos? O que quero na escola? Essas são perguntas que podem nos ajudar a nos conhecermos melhor. A escola não é apenas o lugar da transmissão de conhecimento, ela também é o espaço da formação da personalidade de todos que nela se encontram. É muito importante que nos percebamos como sujeitos em desenvolvimento em qualquer idade do ciclo da vida.
UNIDADE 4 - TEMAS TRANSVERSAIS
É importante que encontremos o sentido emocional das coisas que fazemos. Sendo assim, é necessário que tenhamos consciência do nosso trabalho para encontrarmos esse sentido emocional e nos sentirmos motivados ao realizarmos nossas tarefas. Nada como alguém feliz no seu ambiente de trabalho!
Estar em grupo não significa ser igual, ter as mesmas ideias e compartilhar as mesmas opiniões. Pelo contrário, a diversidade deve ser vista como possibilidade de enriquecer nossa visão de mundo.
RESUMO
Esta foi mais uma aula que enfatizou as questões que envolvem as relações interpessoais no contexto da escola. Espero que você tenha concordado comigo em relação ao que foi dito sobre a disciplina, motivação, gênero e diversidade cultural. O mais importante é sabermos que não vivemos sem o outro. Para sermos, precisamos sempre de alguém ao nosso lado, mesmo que seja no nosso imaginário.

UNIDADE 5 - CONTEXTO SOCIAL

Vale ressaltar que a aprendizagem de vida se dá em diferentes contextos como o trabalho, a igreja, o grupo de amigos, os locais de diversão e a própria escola. Isso tudo mostra a necessidade de estarmos abrindo o espaço escolar a outros horizontes e sempre considerarmos o aprendizado que temos na vida como importante.
O educador, no contexto de uma educação inclusiva, precisa ser preparado para lidar com as diferenças, com a singularidade e com a diversidade de todas as crianças e não com um modelo de pensamento comum a todas elas. Cabe a ele observar criteriosamente as necessidades de todos.
      Vale ressaltar que a aprendizagem de vida se dá em diferentes contextos como o trabalho, a igreja, o grupo de amigos, os locais de diversão e a própria escola. Isso tudo mostra a necessidade de estarmos abrindo o espaço escolar a outros horizontes e sempre considerarmos o aprendizado que temos na vida como importante.

O educador, no contexto de uma educação inclusiva, precisa ser preparado para lidar com as diferenças, com a singularidade e com a diversidade de todas as crianças e não com um modelo de pensamento comum a todas elas. Cabe a ele observar criteriosamente as necessidades de todos.
Podemos concluir ressaltando a necessidade de uma formação adequada a todos os educadores para se obter sucesso na inclusão. É preciso adotar um processo de inserção progressiva para que educadores e alunos com necessidades especiais encontrem a melhor maneira de superar obstáculos.
Relações interpessoais e gestão democrática
A gestão democrática parte da ideia de uma escola para todos onde realmente sejam possíveis o acesso e a permanência do aluno, assim como a garantia da qualidade na educação.
É necessário desenvolver no contexto escolar relações interpessoais que permitam uma integração das diversas áreas do conhecimento e das diferentes funções de cada membro da escola, reconhecendo a necessidade de superação da fragmentação do saber e dos fazeres, característica da escola tradicional.
A intenção é construir uma escola mais humanizada, onde alunos, professores, funcionários e direção, cientes de suas capacidades e criatividade, sintam-se participantes e responsáveis pela coisa pública e pela construção de uma nova sociedade. Para tal, é preciso trabalhar com o coletivo.
Nessa proposta, as atividades valorizadas são as de cooperação em vez da competição. A busca está sempre em criar espaços de debate, de diálogo fundado na reflexão coletiva. O projeto político-pedagógico deve ter como objetivo a organização do trabalho educacional na sua globalidade.
Nesta unidade vimos a importância de considerarmos o contexto social com toda sua diversidade para podermos fazer das relações interpessoais na escola, relações que acolham todos de forma democrática. Para aceitarmos o outro na sua diferença é preciso primeiro estarmos conscientes de nossas possibilidades enquanto educadores. Para tal, necessitamos ter um conhecimento construído socialmente que desenvolva nossa personalidade e dos demais com quem nos relacionamos. Isso exige um compromisso constante de pensar as nossas práticas profissionais para que sejam formativas de sujeitos cidadãos mais felizes e envolvidos emocionalmente com as mudanças sociais.

PALAVRAS FINAIS

Esta foi a última unidade deste módulo, espero que ela tenha despertado sua atenção para a importância de observar o contexto social em que a escola esta inserida e a partir daí utilizar as relações interpessoais na construção de uma educação inclusiva e democrática.
É importante enfatizar que um dos objetivos deste curso é o de preparar, você, funcionário de escola pública, para poder participar, com os outros educadores da escola, dos conselhos escolares. Devemos romper com o silêncio, a subserviência e o imobilismo que as relações de hierarquia do poder pelo suposto saber determinavam no contexto da educação.
Que este módulo, junto com os demais, possa contribuir de alguma forma para a formação de novas relações interpessoais, que visem à construção de uma escola democrática.



quinta-feira, 23 de julho de 2015

CALENDÁRIO 2º SEMESTRE


ORDEM ENCONTRO
DATA
MÓDULO
12º e 13º
28/08 noite   e 29/08 manhã
caderno04_Relações_Interpessoais
14º e 15º
18/09 noite   e 19/09 manhã
caderno05_Educação_Sociedade_Trabalho
16º e 17º
03/10 e 24/10
caderno06_Gestão_em_Educação_Escolar
18º e 19º
14/11 e 28/11
caderno07_Informatica Básica
20º e 21º
04/12 noite   e 05/12 manhã
caderno08_Produção_Textual_na_Educação_Escolar




sábado, 13 de junho de 2015

O ENCONTRO


Neste sábado estivemos reunidos para o último encontro presencial deste semestre. Foi uma maratona puxada. Saímos nem para o almoço, fomos de marmitex. Esteve bom, porém a festas juninas das escolas interferiram na frequência.




O almoço







 

 A hora do lanche








A VIAGEM


Acordam muito cedo, 4h, percorrem do distrito em que residem até a cidade - 122 km, mas não esmorecem. Quinzenalmente empreendem esta viagem para os encontros presenciais do Profuncionário. Esta turma persevera em busca de seus objetivos, neste caso a formação  técnica.


































Caderno 3 –: Homem, Pensamento e Cultura: Abordagem filosófica e antropológica

RESUMO – caderno 3: Homem, Pensamento e Cultura: Abordagem filosófica e antropológica
Objetivo
Apropriar e criar condições teórico-práticas com as quais problematizar, investigar e criticar as práticas escolares, com vistas à construção da identidade de profissional da educação.

Unidade 1 - Devir Humano
Nessa primeira unidade você deve ter percebido que homens e mulheres não nascem humanos, mas se tornam humanos pelas transformações que realizam na natureza. Essas transformações realizadas por homens e mulheres é o que chamamos de cultura. Na cultura, as gerações mais velhas educam as novas gerações que, por sua vez, transformam o modo de viver no qual são educadas, vão se diferenciando dos mais velhos e construindo um novo modo de viver e uma nova humanidade.
Deve ter se dado conta, ao mesmo tempo, que a cultura é um conjunto de respostas de grupos sociais diferentes a exigências diversas da vida e que, portanto, há diferentes culturas; diferentes modos de viver que fazem de homens e mulheres seres diferentes entre si: diversas culturas, diferentes humanidades.
Você notou que, quando alguém valoriza sua cultura acima das demais, temos o etnocentrismo: aquela visão que põe a própria cultura como central em relação a outras, que se tornam periféricas. Viu que a transmissão cultural, o cultivo que as gerações mais velhas fazem das gerações mais novas é a endoculturação, ou transmissão cultural, parte importante da educação humana de homens e mulheres. E viu, por fim, que, no processo histórico, a tarefa social da educação coube à escola, encarregada de ensinar ou criar as condições para que crianças, jovens e adultos possam aprender conhecimentos e valores específicos para responder às necessidades do modo de viver, criado por outros homens e mulheres que os antecederam.

Unidade 2 - Devir humano, linguagem e educação
Nesta unidade de estudos, você deve ter compreendido como a linguagem é importante para o devir humano e para a educação de homens e mulheres, pois nela é possível registrar acontecimentos, falar do mundo, expressar o que acontece no nosso corpo e pensamento e, sobretudo, na linguagem, nos relacionamos com os outros de tal modo que ela é fundamental para ensinar e para aprender a viver humanamente. Você deve ter se dado conta, depois, que a língua que falamos é um tipo de linguagem: a linguagem verbal. Deve ter notado que aprendeu a ser o que é escutando o que outros dizem a respeito de homens e mulheres em geral e a seu respeito. Em terceiro lugar, você deve ter visto que a linguagem permite a comunicação quando pessoas a compartilham, sabem usá-la e interagem entre si por meio dela. Por meio da linguagem, duas ou mais pessoas podem conversar, questionar-se e negociar sentidos. Por fim, deve ter notado que a comunicação e o diálogo possibilitam que, na relação com os outros, com os diferentes, podemos construir consensos ou afirmar nossas diferenças. Em ambos os casos, construímos e refletimos, junto com os outros, sentidos para a humanidade: aprendemos nossa humanidade e a humanidade dos outros conversando crítica e autonomamente com eles.

Unidade 3 - Devir humano, trabalho e educação
Para esta unidade, o importante era pensar um pouco sobre as relações entre trabalho, educação e escola. Nos estudos, você deve ter compreendido que o trabalho é essencial para a produção do mundo humano, pois é trabalhando que homens e mulheres o constroem e o transformam, e que com o trabalho nos educamos e educamos aos outros com ou sem consciência de que o estamos fazendo. Deve ter se dado conta de que um educador profissional não pode estar alienado quanto ao aspecto educativo de suas atividades de trabalho e que, se é pelo trabalho que homens e mulheres transformam as condições de vida, é pela educação que as novas gerações aprendem a viver nessas novas condições e aprendem, também, a criar novas condições. Por isso, é importante que a escola e o trabalho escolar possam acompanhar os avanços tecnológicos da humanidade.

Unidade 4 - Devir humano, valores e educação
Nesta unidade você se ocupou com a reflexão sobre o sentido dos valores no devir humano. Pôde notar que existem diversos tipos de valores relativos a diferentes aspectos da vida, entre os quais os estéticos – relacionados com a sensibilidade –, os éticos ou morais– relacionados com a conduta na vida social – e os políticos – relacionados ao poder e ao modo como é exercido na sociedade. Todos esses aspectos são importantíssimos e estão presentes no processo educativo escolar. Contudo, como os valores são construções socioculturais, é preciso saber escolher quais valores devem e podem ser ensinados na escola. Escolha que está diretamente relacionada com o sentido de humanidade que queremos para nós e para as novas gerações e que é objeto de negociação, de divergência e de acordo entre grupos sociais e mesmo entre indivíduos. Inclusive na própria escola.

Unidade 5 - Devir humano, escola e educação
Nesta última unidade de estudos, destaquei alguns elementos que considero importantes para que você possa se situar e resituar na investigação e na reflexão sobre o devir humano, problema fundamental para a formação do educador escolar. É interessante, para concluirmos a investigação, retomar o cerne dos estudos em cada uma das unidades da disciplina, para buscar mais clareza quanto a um posicionamento possível diante da educação na escola. Acompanhe. Você iniciou a investigação com os seguintes questionamentos gerais sobre as práticas escolares cotidianas: por que são essas práticas e não outras? Como são feitas? Para que são feitas? Que influências podem ter na vida das pessoas e na minha própria vida?  Esses questionamentos estão relacionados a outros problemas diante dos quais você se colocou em cada unidade, de maneira que o problema  inicial ganhou complexidade como problema geral, ao mesmo tempo que foi especificado nos seus elementos principais: linguagem, trabalho e valores.

Nessa especificação, você deve ter percebido que em cada unidade o texto abriu possibilidades de relações entre escola, educação e cidadania. Na primeira unidade, a escola foi significada e valorizada como espaço educativo, criado para ensinar às novas gerações os elementos culturais mínimos para a convivência social e para o trabalho.
Você viu, também, que os elementos culturais variam em diferentes e diversas culturas e que elas se relacionam umas comas outras de modo que ambas se transformam. As relações são de compartilhamento, de disputa, de negociação e de construção de significados e de valores. Além disso, você deve ter notado que o que se aprende na escola poderia ajudar na construção de uma identidade humana no mundo. Resta saber, entretanto, como  é possível construir uma cultura que contribua para isso, quando diversidade cultural e etnocentrismo estão em jogo na educação escolar. É preciso que você possa se posicionar sobre esse tema  com autonomia.
Na Unidade 2, foram problematizadas as práticas simbólicas, práticas de linguagem e de linguagem na escola, para refletir sobre o sentido de uma cidadania educada no diálogo e na comunicação. Outro problema colocado foi se a educação escolar ajuda na formação de pessoas críticas, bem informadas e dispostas a participar da criação de outros mundos e de outras relações sociais. Aquela unidade sugeriu que as relações com a linguagem e as que estabelecemos com outras pessoas por meio da linguagem não são tão óbvias e transparentes como parecem e, por isso, podem trazer uma série de dificuldades para o entendimento e para as relações de poder na escola. Enfim, podem dificultar a educação do humano.
Na Unidade 3, foram problematizadas as condições práticas e conceituais de trabalho, que são ao mesmo tempo práticas educativas, como as práticas de linguagem e as práticas culturais de modo geral. Lá, apareceu a suspeita de que num mundo em que homens e mulheres trabalham somente para sobreviver, sem pensar em outras possibilidades para o que fazem no trabalho, podem ficar alienados em relação à sua humanidade. Na escola, instituição criada para ensinar, se o trabalho é alienante e alienado, a educação também poderá ser, para aqueles que trabalham e se educam nela. Então, perceba que todo trabalho na escola educa e todo trabalho, então, deve ser planejado para educar, mesmo que os resultados não sejam os desejados. Você precisa saber que o seu trabalho na escola é educativo.
Por último, na Unidade 4, você se deparou com as práticas valorativas. Naquele contexto se perguntou pelo valor da educação e, especialmente, da educação escolar. Questionou se educar para o trabalho é a mesma coisa que educar para a cidadania. Percebeu que, para decidir sobre essa questão, precisa fazer escolhas e que, para fazer escolhas, precisa compreender e posicionar-se sobre os valores envolvidos. Não se esqueça de que os valores podem ser construídos e desconstruídos na escola: valores estéticos, éticos e políticos, que integram o devir humano.

Com o que foi investigado nas unidades 1 a 4, você pode pensar que homens e mulheres se fazem, se sentem e chamam humanos quando podem experimentar em suas vidas a possibilidade de falar e de escutar os outros, de expressar-se e perceber os outros, de sentir-se e de sentir os outros integralmente: como seres simbólicos, trabalhadores, sensíveis, éticos e políticos. Pode perceber, também, que homens e mulheres vêm a ser o que são na e pela educação de que participam com outros homens e mulheres. Por fim, deve ter notado que, quando desejamos um modo de viver para o humano, homens e mulheres precisam ser educados para essa vida e a escola é espaço privilegiado nessa empreitada, quando temos consciência do que fazemos e podemos planejar nossas atividades para fins educativos.

CADERNO 2 - EDUCANDOS E EDUCADORES

Resumo – cad2 – Educadores e educandos: tempos históricos

Objetivo
Espera-se possibilitar aos estudantes a aquisição de conhecimentos históricos
e de interpretações da escola e da educação como espaços coletivos de formação humana, de contradições, de diversidade étnico-cultural. Espera-se que o cursista compreenda a educação e a escola como parte da cultura de um povo, num determinado tempo e espaço. Além disso, que a história é construída por homens e mulheres em movimentos constantes de transformação, de rupturas ou de continuidades.

Unidade 1 - Para que estudar e compreender a educação por meio da história?

Podemos dizer que a história permite enxergar nossas raízes e compreender por que as civilizações, os povos, organizaram-se de determinada maneira, o que foram e como se transformaram naquilo que são. Neste sentido, a educação como parte da cultura, ilumina em nós a inteligência humana e permite sermos criadores, inventores e construtores de objetos, símbolos, linguagens e valores. Assim, como vamos estudar e compreender a organização da educação e da escola no Brasil? O que os funcionários das escolas precisam saber sobre a educação? Como os funcionários, em efetivo exercício nas escolas, podem ser educadores? Como transformar nossas rotinas
em processos educativos? Estas questões são fundamentais, e vamos durante este curso ajudar você a compreendê-las.

Unidade 2 - Educação construída pelos padres da Companhia de Jesus
É possível compreender que a educação, durante o período colonial, foi uma estratégia dos colonizadores portugueses para negar a identidade indígena e seus processos educativos para implantar, na colônia, a visão europeia de mundo: sua cultura, seus valores e sua religião. Compreendemos, ainda, que as escolas, refletindo a sociedade hierárquica e autoritária da época, eram organizadas da mesma forma: as funções nobres de educar eram reservadas aos sacerdotes; aos irmãos missionários – os funcionários à época – eram reservados os trabalhos braçais para a sustentação das escolas; depois, índios e escravos foram incorporados como funcionários e os irmãos missionários passaram a serem seus chefes. A tarefa de educar ficou sempre nas mãos dos sacerdotes e religiosos.

Unidade 3 - Aulas régias: a educação dirigida pelo Marquês de Pombal
O movimento iluminista europeu provocou uma revolução na maneira dos seres humanos interpretarem o mundo e as relações sociais. O centro organizador dessa visão de mundo deixa de ser o Deus judaico-cristão e passa a ser a razão humana. Esse processo que se difunde aos poucos pelos países europeus tem reflexos em suas respectivas colônias. No caso de Portugal, as ações de Marquês de Pombal instituíram aqui na colônia um modelo de organização das escolas e de contratação de professores, além da aplicação das ideias iluministas na organização do Estado Português. As medidas políticas, econômicas e educacionais estabelecidas por Pombal acirraram os conflitos com os jesuítas e resultou na sua expulsão de Portugal...

Unidade 4 - A família real portuguesa e a educação das elites
1. A política para a educação conduzida por D. João VI expressou, novamente, a disposição de transportar o modelo de educação das elites europeias para o Brasil. Embora alguns países europeus já houvessem iniciado a constituição dos seus sistemas nacionais de educação e a concebessem como direito social, por meio do quais, homens e mulheres em sua existência produzem conhecimentos, valores, técnicas, ciência, artes, crenças, enfim, tudo o que constitui o saber historicamente produzido. Contudo, a colonização portuguesa priorizou a educação somente para as elites.
2. Embora já existissem concepções de que a educação é parte da cultura e, por meio da cultura, o homem relaciona-se com a natureza, modifica e é modificado por ela, o caminho escolhido pela monarquia foi o de prescindir-se da educação da população que trabalhava e produzia a riqueza.
3. Durante a estadia da Corte Portuguesa no Brasil Colônia, a educação escolar destinada às elites foram as aulas régias avulsas e, depois, alguns eram enviados para Coimbra e Évora para terminar os estudos. Para a maioria restaram classes de primeiras letras irregulares e algumas escolas de ensino secundário.

Unidade 5 - A educação escolar nas províncias e a descentralização do ensino
1. Na sociedade brasileira, a escola pública não tinha lugar, nem significado, nem reconhecimento. Foram às transformações econômicas, políticas e sociais que geraram a sua necessidade e as suas funções. Assim, sendo uma das instituições sociais, as escolas reproduzem ou buscam transformar as relações do modo de produção capitalista, que então começava a ser organizar.
2. As práticas educacionais e pedagógicas foram instrumentos de disseminação de valores morais, religiosos, dos comportamentos adequados  e da visão de mundo.
3. As províncias criaram algumas escolas em número insuficiente e de acesso restrito. As funções eram modelar as condutas e os hábitos além de propagar concepções de mundo.
4. No vácuo da inoperância e descaso das autoridades governamentais, as escolas confessionais, apesar de frequentes conflitos entre o Estado e a Igreja, encontraram um campo fértil para prosperar o que, de certa forma, contribuiu para que o Estado permanecesse na inoperância em relação à organização de um sistema público de educação.

Unidade 6 - A República dos coronéis e as pressões populares pela educação escolar
1. A República herdou grande número de analfabetos, poucas escolas primárias e secundárias, poucos recursos financeiros e pressões populares. 2. Os governos tinham um discurso de modernização da sociedade por meio da educação que nos tirasse do atraso cultural e industrial e impulsionasse o país para a vida urbana industrial. 3. A educação pública, insuficiente em todo o país, serviu de instrumento de formação das elites dirigentes e de preparação para o trabalho, conduzindo a um sistema dual de ensino: a escola que formava para o trabalho, pragmática, utilitária e com aprendizagem dos rudimentos para inserção nas fábricas, indústrias e comércio, e a escola clássica, propedêutica Trata-se de ensino que preparava os estudantes para o acesso ao ensino superior destinada a formar os dirigentes e os burocratas para o trabalho da condução e administração do próprio Estado.

Unidade 7 - Manifestos de educação: ao povo e ao governo
1. A defesa da educação pública, gratuita, laica, obrigatória e democrática é uma luta de nós todos, todos os dias. Essa luta tem suas raízes em dois manifestos: um de 1932 e outro de 1959.
2.No Brasil, criou-se um sistema dual de educação: uma educação propedêutica, para os filhos das famílias abastadas, proprietária de terras, senhores de engenho e dono das riquezas, e outra, profissionalizante, dirigida para os filhos dos trabalhadores.
3. A educação pública caminhou na medida em que as indústrias e o comércio precisaram de trabalhadores qualificados para desempenharem tarefas mais complexas. Neste período, na maioria das vezes para ser funcionário de escola era preciso ser indicado por alguém.
4. Os Manifestos dos Educadores e da Educação resultam da luta dos sindicatos, associações científicas e dos movimentos sociais em defesa de uma concepção de educação para todos, crianças, jovens e adultos, como direito humano e social e dever do Estado.

Unidade 8 - O golpe militar e a educação pública
1. Expulsas do campo, famílias inteiras migraram para as cidades em busca de melhores condições para viver. Do nordeste, também fugindo da seca e em busca de trabalho, famílias migraram para as capitais e se instalaram nos bairros periféricos, em casas ou apartamentos populares ou em favelas. Os governadores e prefeitos pressionados
e diante do agravamento das condições sociais da população, decorrente da exploração capitalista e da favelização urbana, propuseram políticas sociais: habitacionais, de saúde, de previdência social, cultura e educação.
2. Houve um crescimento do número de estudantes matriculados nas escolas públicas. Muitos ali não permaneceram e continuaram com as mesmas condições de pobreza familiar em que viviam. A qualidade da educação era compreendida pela quantidade de conteúdos que os estudantes repetiam nas provas escritas. A reprovação era compreendida como incapacidade de aprender do discente.
3. A ditadura militar introduziu, por meio da educação, formas de controle moral nas escolas e nas universidades. Foi um período de cassação de direitos políticos e dos direitos sociais. Pelo Ato Institucional nº 5, foram suspensos os direitos políticos e aplicadas medidas duras: repressão, tortura, censura, perseguição, punições e mortes.

Unidade 9 - Redemocratização: cidadãos e consumidores
1. Saúde, habitação, cultura, transporte, aposentadoria, segurança, previdência social, lazer, água e a terra são direitos sociais, resultado da luta dos trabalhadores em defesa da vida humana e coletiva.
2. Ser cidadão, educador e gestor é não acreditar que as desigualdades sociais, regionais e o desemprego são naturais. Elas são resultados da divisão de classes sociais: dominantes e dominados.
3. A educação pública é um direito social universal de homens e mulheres, em todas as idades; uma conquista dos trabalhadores e instrumento de desmistificação das injustiças.
4. Um dos instrumentos de luta dos trabalhadores é a educação pública, visto que o conhecimento, a formação, cultura e informação auxiliam os cidadãos a fazerem as suas escolhas, participarem nas decisões e a definirem os valores subjetivos e materiais.

Unidade 10- Identidade profissional e projeto político-pedagógico
Para finalizar esta reflexão, vamos lembrar a você algo importante. A educação pública é uma conquista dos trabalhadores. Não basta estar na escola. É preciso educar para a transformação, para a emancipação. Trabalhadores pertencentes a uma classe social dentro da sociedade capitalista possuem direitos individuais e sociais. As lutas por direitos não são apenas de quem trabalha na educação, professores ou funcionários, mas de todos os trabalhadores organizados em seus sindicatos, associações, confederações ou nos movimentos populares que lutam em defesa de melhores condições salariais, de vida e de trabalho, em qualquer atividade que exercem. A escola que queremos, mas não temos é a que apoia os trabalhadores, inclusive os funcionários da escola, na transformação da sociedade tão desigual em uma sociedade mais justa.
Os trabalhadores não esperam as mudanças, mas é por meio de suas lutas e organização que as mudanças se realizam.

Unidade 11 - Políticas para a educação pública: direito e gestão
O mundo capitalista está sendo reorganizado pela ideologia neoliberal que se propõe revitalizar o capitalismo de forma a preservar a divisão estrutural de classes. Nesse sentido, organismos internacionais de financiamento e os fóruns capitalistas, através de acordos e consensos, impõem aos países pobres e em desenvolvimento a adoção de políticas que fortalecem o capital internacional e fragilizam as políticas públicas sociais. Como a educação é um Direito Social, que absorve, em geral, a maior fatia percentual dos orçamentos públicos, quase sempre está no alvo dos que têm interesse em diminuir o papel do Estado. A Educação é um direito social e sempre uma conquista, mesmo por que há muitas pessoas que não tem, ou ainda não tiveram acesso a ela. Outros, já passaram por ela e não aprenderam. Também há aqueles que têm interesse em transformá-la em mercadoria, o que exige das organizações sociais estar de prontidão para defendê-la e ampliar esse direito com qualidade social. A privatização da educação pode expressar-se de duas maneiras: uma, na redução ou na realocação de recursos públicos da educação básica e ensino superior e, a outra, na destinação dos recursos públicos para o setor privado, seja pela concessão de bolsa de estudos, benefícios tributários, isenção de impostos, ou pela reconfiguração da educação, disponibilizando-a aos empresários como um negócio rentável e lucrativo.

O Governo Federal, parte dos estados e municípios estão dispostos a modificar a educação pública brasileira na legislação constitucional tanto que adotaram como política para a educação: a redução de investimentos públicos, recursos públicos distribuídos de acordo com os resultados previamente estabelecidos, padrão de qualidade e produtividade a ser incorporada, avaliação dos resultados, e modelo de gestão gerencial-racional. A sociedade civil organizada em sindicatos, associações, movimentos populares e organizações não governamentais participam e continuam participando ativamente dos processos de desenvolvimento da educação nacional. Apresentam propostas alternativas construídas nas lutas e nos espaços democráticos de participação. O que se pode afirmar é que o modelo de desenvolvimento econômico adotado pelos governos é incompatível com a extensão dos direitos socais à população e com a política de investimentos públicos adequados na educação básica e no ensino superior. Por último, a escola pública é o espaço por onde passa uma parcela significativa de nossas crianças e jovens cada vez mais equipados com tecnologias, com diferentes capacidades e visões de mundo, vindos de diversos tipos de família e, muito deles, à procura de valores, princípios, atitudes, limites, sentido para a vida... Eles buscam sonhos, vida digna, trabalho e utopias. Nós, trabalhadores da educação, estejamos em condições de acolher, conviver com eles, possibilitar-lhes experiências com valores morais e éticos, princípios e conteúdos que proporcionem uma valorosa formação escolar e humana. Funcionários e professores, o desejo de aprender constitui parte do ethos da profissão. Este é o cenário da luta coletiva!